A presença da agropecuária no território brasileiro cresceu de 18% para 32% entre os anos de 1985 e 2025. Em contrapartida, a cobertura de vegetação nativa sofreu uma retração expressiva no mesmo período, caindo de 79% para 65%, informa o estudo do MapBiomas divulgado nesta quarta-feira (12).Play Video
O levantamento detalhou as transformações na cobertura e no uso da terra no país ao longo dos últimos 41 anos. De acordo com os pesquisadores do MapBiomas, os dados evidenciam que as áreas naturais continuam sendo sistematicamente reduzidas para dar lugar aos usos antrópicos, o que deixa o meio ambiente ainda mais vulnerável aos impactos crescentes dos eventos climáticos extremos.
A vulnerabilidade do território ganha contornos mais preocupantes diante das oscilações do clima global. “Os dados históricos de precipitação mostram que os biomas brasileiros têm registrado secas ou chuvas cada vez mais intensas em anos com El Niño de maior intensidade, como o que se espera em 2026”, alerta o estudo.
Raio-x das transformações territoriais
Em 1985, as atividades agropecuárias ocupavam 150,2 milhões de hectares, o equivalente a 18% da extensão do país. Quatro décadas depois, em 2025, o setor passou a dominar quase um terço do Brasil, somando 273,3 milhões de hectares. As pastagens permanecem como a principal destinação desse uso, representando mais da metade (60,6%) de toda a área agropecuária, com 165,6 milhões de hectares registrados em 2025.
A análise histórica aponta que cerca de um terço de todo o território nacional passou por pelo menos uma mudança na cobertura e no uso da terra nas últimas quatro décadas. Por outro lado, 67% da superfície brasileira permaneceu estável.
Em termos absolutos, a Amazônia e o Cerrado lideram as perdas acumuladas de vegetação nativa entre 1985 e 2025, com reduções drásticas de 53,9 milhões de hectares e 51,7 milhões de hectares, respectivamente. Na sequência das maiores perdas surgem os biomas da Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
No âmbito estadual, a tendência de devastação foi quase generalizada: 25 estados e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa dentro de suas fronteiras territoriais. A única exceção a esse cenário foi o estado do Rio de Janeiro, que registrou um aumento de 1% na cobertura de vegetação nativa ao longo do período analisado.
Retração da Formação Florestal
Apesar da expressiva perda de área, a Formação Florestal segue como a categoria predominante na cobertura do solo brasileiro. Em 2025, essa classe somava 359,5 milhões de hectares, o que corresponde a 42,3% de todo o território nacional.
Entretanto, foi justamente a Formação Florestal que sofreu o maior impacto negativo em números absolutos no período de 41 anos, registrando uma perda acumulada de 65 milhões de hectares desde 1985. O relatório ressalta que, a despeito dessa diminuição expressiva, as formações florestais continuam concentrando a maior parte das áreas que conseguiram permanecer intocadas e sem alterações ao longo do período mapeado.





