O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos. A informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL) e pela família. Um dos nomes de destaque do jornalismo brasileiro, ele também era integrante da ABL desde 2015, ocupando a cadeira 32.
Zuenir Carlos Ventura nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, passou por algumas das principais redações do país e trabalhou em veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo.
A trajetória no jornalismo começou ainda durante a faculdade, quando trabalhou como arquivista na Tribuna da Imprensa. Formado em Letras Neolatinas pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia, atual UFRJ, Zuenir também teve formação em jornalismo em Paris no início dos anos 1960.
Entre suas obras mais conhecidas está o livro “1968: O ano que não terminou”, publicado em 1988. A obra reuniu acontecimentos políticos e culturais daquele período e se tornou uma das referências da produção jornalística brasileira sobre o ano que antecedeu o endurecimento da ditadura militar no país.
Outro trabalho de destaque foi “Cidade Partida”, publicado em 1994. Para produzir a obra, Zuenir acompanhou durante meses a rotina de moradores de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, após a chacina ocorrida na comunidade em 1993. O livro recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.
O jornalista também teve atuação marcante na cobertura do assassinato do seringueiro Chico Mendes. Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, trabalho que recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog. Posteriormente, a investigação deu origem ao livro “Chico Mendes: crime e castigo”.
Zuenir também escreveu obras como “Minhas Histórias dos Outros”, “Sagrada Família”, “Inveja: mal secreto”, “Crônicas de um fim de século” e “Sobre o tempo”, este último produzido a partir de conversas com o escritor Luis Fernando Verissimo.
Em 2015, Zuenir Ventura foi recebido na Academia Brasileira de Letras, sucedendo o escritor Ariano Suassuna na cadeira 32. Em 2026, sua trajetória foi tema do documentário “Mestre Zu”, dirigido por Zelito Viana e apresentado durante a Festa Literária Internacional de Niterói.
Zuenir deixa a esposa, Mary Akiersztein, com quem era casado desde 1962, os filhos Elisa e Mauro e os netos Alice e Eric.






